Aerotermia com piso radiante vs radiadores: qual rende mais

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Aerotermia com piso radiante vs radiadores: qual rende mais


Pés descalços no chão da sala numa manhã de janeiro, sem chinelos e sem arrepio. Esse pequeno luxo tem nome — piso radiante — e é também a configuração onde a máquina rende mais: com água a baixa temperatura (30–40 °C), a aerotermia com piso radiante atinge os COP mais altos. Mas não faz falta partir a casa toda para entrar neste mundo: a aerotermia com radiadores também funciona, seja com equipamentos de alta temperatura (mais de 65 °C), seja — bastante melhor — com radiadores de baixa temperatura e ventiloconvectores (40–55 °C). A questão é quanto pagas em rendimento por cada grau a mais.

O panorama geral do sistema está no guia completo de aerotermia.

Porque o emissor muda o rendimento

A regra cabe numa linha: o rendimento depende da diferença entre a temperatura do ar exterior e a da água a impulsionar. Quanto mais baixa, mais rende. É pura mecânica do ciclo — elevar água a 35 °C custa muito menos esforço ao compressor do que elevá-la a 70 °C. Por isso o piso radiante (água a 30–35 °C) é imbatível, e os radiadores convencionais (60–75 °C) fazem cair o COP: obrigam a máquina a trabalhar no seu pior registo.

Aerotermia com piso radiante vs radiadores: qual rende mais

Rendimento por tipo de emissor

Posto em tabela, o compromisso entre rendimento e obra fica evidente — repara em como o COP desce à medida que a temperatura de impulsão sobe:

Emissor Temp. de impulsão COP/SCOP sazonal Obra Arrefecimento verão
Piso radiante 30–40 °C Excelente (4,5–5,1) Muito alta Sim (radiação)
Ventiloconvectores 40–45 °C Alto (~4,5) Média Sim
Radiadores baixa temp. 40–55 °C Médio-alto (~3,8) Baixa-média Não
Radiadores convencionais 60–75 °C Baixo (~2,0–2,5) Nula Não

A leitura honesta: o piso radiante ganha em rendimento mas exige a obra mais pesada; os ventiloconvectores são o meio-termo esquecido — quase o mesmo COP, muito menos obra e ainda arrefecem no verão.

Custos indicativos

Com o rendimento claro, a decisão passa para a carteira. Os três caminhos típicos:

  • Piso radiante novo: ~80 €/m² (além de levantar o pavimento).
  • Manter radiadores + aerotermia de alta temperatura: 9.500–12.000 € (habitação de 120 m²).
  • Substituir por ventiloconvectores: +1.500–2.500 €.

Uma observação de obra que poupa arrependimentos: o piso radiante só compensa quando a remodelação já obriga a levantar o pavimento. Instalá-lo numa casa acabada de renovar, só pelo COP, é pagar duas obras — quem está nessa situação sai quase sempre melhor servido com ventiloconvectores ou radiadores de baixa temperatura.

Normativa e conforto

O piso radiante segue a norma EN 1264: a temperatura da superfície não deve ultrapassar os 29 °C — quente ao pé, nunca escaldante. E tem feitio próprio: a sua elevada inércia térmica faz com que demore a aquecer (12–24 h), mas em troca mantém uma temperatura muito estável. Não é um sistema para ligar ao chegar a casa; é um sistema para deixar trabalhar.

Perguntas frequentes

Posso aproveitar os radiadores atuais?

Podes, com uma bomba de calor de alta temperatura (R290). Fica só combinado desde já: o rendimento será menor do que com piso radiante — é o preço de não tocar na obra.

O que é o piso refrescante no verão?

É o mesmo circuito a trabalhar ao contrário: faz circular água a 15–18 °C para arrefecer por radiação, sem correntes de ar nem ventiladores. Um fresco silencioso que sobe do chão.

Porque os ventiloconvectores vão bem em zonas húmidas?

Porque circulam água muito fria (7–12 °C) e, ao arrefecer o ar, desumidificam-no. Em climas pegajosos, tirar humidade vale tanto como tirar graus.